sábado, 21 de fevereiro de 2009

mais uma vez, ilusão

de repente restaram apenas eles. a multidão parecia se resumir ao fora de foco comum do que não interessa no quadro. os olhos dela, da pessoa amada, brilhavam, refletiam ele, que a olhava. e viva! ele estava na cabeça dela. podia se ver lá dentro. e se sentia dentro dela.

um milésimo de segundo, foi esse o tempo. naquela noite, no meio de todas aquelas pessoas, no meio do discurso apaixonado pelo assunto da vez, ela passou a vista por ele. ele que sempre tinha a vista nela. bastou isso para satisfazer o seu sonho por aquela noite. e por todo o tempo em que não iriam se ver, aquela imagem, dele preso no olhos dela, serviria para fazê-lo acreditar que era verdade. até que iria arranjar outro fato que comprovasse o que ele sabia não ser real, mas que era gostoso acreditar existir.


...e eu sempre espero que no meio da conversa tua mão displicente caia em mim...


terça-feira, 27 de janeiro de 2009

FUTURO: algo que a gente deixa pra depois.
Pode ser que mude, ou não.
Não dizem que ele a Ele pertence?
Acho que também depende das ações de cada um.
Se tudo corre bem,
Vem o futuro com boas notícias.
Se não,
Vem o futuro incerto (pode ser que coisas boas aconteçam mesmo que o que espero hoje não aconteça).
Futuro é isso.
E a gente só tem que esperar acontecer.


por que o coração é um inimigo tão forte?
ele parece um dragão, se impondo através de seu fogo e querendo destruir todo o mundinho que você cultiva tão cuidadosamente.
mas ele não tem tamanho pra isso, ele cabe na mão. então o comparo a um tumor. ou a um ouriço que teima em furar nosso peito a cada movimento mais brusco que fazemos, como para se proteger de nós.
o coração é venenoso, ele dobra nossos sentidos, faz o corpo ficar doente, e como se não bastasse, gera uma dor de cabeça filha da puta. porque se não fazemos o que ele quer, a consciência pesa.
então ele tem o controle absoluto? ele manda e desmanda? ele só faz o que ele quer.

mas a cabeça é diferente. mesmo sofrendo forte influência do coração, ela é maior que ele.
reclamo da força do coração, mas não por que não posso vencê-la, mas pq ele nunca vai parar de lutar.
e essa luta enfraquece qualquer ser humano.
o coração é foda.
era bem melhor ter uma bomba relógio do que ter ele. só assim a gente explodiria de vez.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

pequenas prosas do fim. II

Cláudia disse ser uma garota boa e que mesmo assim ia pro inferno.

Perguntei se essa era a vontade dela, ela disse não ser.

Perguntei então o porque, ela disse que garotas más vão pro inferno.

Eu falei que ela tinha acabado de dizer que era uma garota boa e, se isso fosse verdade, esse risco ela não corria. É verdade isso, Cláudia?
Ela disse que sim.
Então porque o medo?
Ela calou-se.
É verdade isso, Cláudia? Eu já estava quase chorando nesse momento.
Ela baixou os olhos e quase sussurrando, Sim... Mas...
O que então, Cláudia? Não me controlei e soltei num grito, depois quase chorando, o que então?
Ela levantou os olhos, congelantes, e foi a ultima coisa que vi.
Minha pele sentiu a vibração que vinha de sua garganta, pra qual meus ouvidos não eram mais sensíveis, e ela soava algo como Você me faz querer ir pra onde você vai. A outra seqüência de vibrações foi bem rápida e impactante. Se meus ouvidos ainda funcionassem, e meu cérebro ainda fosse capaz de entender o que eles ouviam, eu teria me encolhido com medo, pois teria acabado de ouvir um tiro.


pequenas prosas do fim. I

- é podre, você é podre!
e nada de argumentos. ela gritava como louca. "podre, cafajeste, imundo... você!"
a última palavra vinha mais carregada que as outras. Você. como se esse fosse o maior insulto que um ser humano pudesse receber... ser eu!
tinha apenas um mês, ela nas nuvens e eu ao mar, jogando rede. das nuvens ela era rarefeita como o ar, espalhavas-se, e espalhava pra todos contos sobre nosso amor. mas esse amor parecia mais ser seu do que nosso.
eu no mar, um pescador a caráter, via tudo tão mais difuso através da água. via o reflexo dela boiando no céu, bem longe de mim e do que eu sentia.
talvez por essa agonia de amar ou por esse "meu bem" por falar, eu ia bem mais fundo n'água. e chegava até a rede. cheia de peixes, cheios do que eu precisava. e fui nadar com eles.
agora, ela fala "você". e eu calado, pois sei que culpa minha é a que existe. erros dela não servem de consolo para os meus.
mas o nosso, esse sim importa, foi não abandonar o mar e o céu, ir para a praia, donde poderíamos ver todo o nosso mundo se unindo distante. E sentados juntos, na areia, algo de sólido, enxergaríamos até nós os passos que marcam o caminho. caminho que ar e água não marca, e se dissolve.


segunda-feira, 4 de agosto de 2008

sem título

enquanto alguns sumiam com teus vultos
eu fazia questão de ficar preso aos teus cabelos
não queria jamais te deixar passar por mim sem me levar
não conseguia pensar em você como quadros semiobscuros nas lembranças
o teu cheiro, tua fonte, sendo levado aos poucos pelo vento que incansavelmente se espalha
e não deixa migalhas que não sejam presenças inoportunas dos lapsos de saudade brincante/gritante em peito aberto
não estou pronto para tua partida
não te esquecerei jamais
não é possível esquecer da nossa própria existência
não recitarão jamais meus lábios
adeus.


falsas falsas poesias

meus versos são cheios de vazio
de palavras que não existem como razões que não são
são coisas que vêm do nada
não as enxergo para além de uma bela semântica universal

pra mim essas palavras não valem nada

sobram no espaço, por onde vagueiam
e se arrumam na mais lógica ordem sentimental de sentimentos sem nenhuma lógica
não existe a regra do interior guiando o vocábulo pelos rumos da emoção
elas brincam de construir mundo e neles existir

não sei se escrever desse jeito, assim tão superficial, é realmente superficial
pois estou repleto de nada ao escrever
e elas vêm do nada
talvez elas sejam, então, o reflexo do que sou eu sem conseguir me ver.


sem título

brotam vis sentimentos do meu peito
emoção rasgada tingida de verdades tolas
sinto o fedor que provocaram meus gestos ensaiados
e das bocas descodifico respostas que já esperava ouvir

um falso amor pra sair de caixinhas de veludo
tenho nas mãos um presente de ego pra fora
não é que não queria a solidão de cada momento junto a pessoa que Não amo
é que prefiro apodrecer sendo isso e mais nada:

apenas o que pintam de mim.


sexta-feira, 25 de julho de 2008

ao rumo

correr pelos campos pra buscar teu encanto
com as mãos delicadamente tocando a relva
e os dedos sentindo o florecer dos botões
correr pela terra adubada com o amor
para depois dos montes poder enxergar o infinito
é puro bucolismo, eu sei
mas o que é esse sentimento
se não a vontade de voltar ao chão donde nascemos?


domingo, 16 de março de 2008

vai passar

quero correr
correr que nem a lebre
fugindo do tiro
quero fugir do tiro
como os pombos
que fogem do barulho
quero fugir do barulho
e mergulhar no silêncio


e ser só silêncio
e ser apenas o ar em movimento
e ser apenas vento


rasgado.
assobiado.
chamado.

quero fugir do que me ataca
correr pro que me chama
não quero ficar parado em minha cama
esperando o tempo passar

e ... (ah!) ele irá passar.

quero passar junto, como o tempo
sobrevoar o silêncio das incertezas do porvir
e deixar todo esse barulho para trás

pois viver é o ato de fugir de tudo o que fomos, e, acima de tudo, de buscar tudo o que seremos.


quinta-feira, 11 de outubro de 2007

entrem

http://www.poemastardios.blogspot.com/
Cacá é phoda!



sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Selvagem

O olhar das crianças apaixonadas é doce e meigo. Simplesmente lindo!
O meu olhar pra você é fera, é carne e fogo. E de infantil não tem nada.



"Queria ter a memória daqueles que me encontram pelas ruas, reconhecem-me e contam proezas nossas, enquanto eu nem sequer de seus nomes lembro."



"A cidade se consome
São milhares de pessoas sem nome
E para cada um o outro some."




"Os louros nunca ficarão na minha cabeça.
Eles me aguardam na eternidade, onde realmente valem alguma coisa!"



sábado, 22 de setembro de 2007

podre ser


Sou fruta mordida

Do velho sabor conhecida

Entre estranhas

Rasga-me os dentes

Perco-me em sensações

São milhares de sabores

Até os que não me cabem

Fruta mordida

Em contato com saliva

Estragada pela vida

Amortecida ou iludida

Fruta com verme

Ou verme de fruta

Misturo-me pouco

Ou pouco me importo com a mistura.

O que importa, sobre o fungo que me decepa

É o sabor do bolor

Na boca de quem morde

Amarga serei

Ou não...

O que serei então:

A fruta mordida ?

Quem morde a fruta?

Ou o podre sabor que fica na boca de quem morde?



beijo de puta


Caras e bocas

Bocas caras

Pra beijar na boca

O Cara paga caro

Se não beijar

Sai barato

Sai decepcionado

E nem sequer gozado.

Puta não beija

Puta LAVA-TE o céu da boca

Leva-te ao céu

Com o poder das roscas

Puta não beija

Ela chupa

Puta não gira a língua

Ela roda cascavel como inimiga

Puta não beija

Puta sobe no palco, imita palhaço, te faz de palhaço e some com teu dinheiro.


- É melhor ficar sem ser beijado.



...



Quem desceu pensando que ia encontrar algo melhor se enganou, pois desceu baixo demais!


Número total de visualizações de páginas