quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

pequenas prosas do fim. II

Cláudia disse ser uma garota boa e que mesmo assim ia pro inferno.

Perguntei se essa era a vontade dela, ela disse não ser.

Perguntei então o porque, ela disse que garotas más vão pro inferno.

Eu falei que ela tinha acabado de dizer que era uma garota boa e, se isso fosse verdade, esse risco ela não corria. É verdade isso, Cláudia?
Ela disse que sim.
Então porque o medo?
Ela calou-se.
É verdade isso, Cláudia? Eu já estava quase chorando nesse momento.
Ela baixou os olhos e quase sussurrando, Sim... Mas...
O que então, Cláudia? Não me controlei e soltei num grito, depois quase chorando, o que então?
Ela levantou os olhos, congelantes, e foi a ultima coisa que vi.
Minha pele sentiu a vibração que vinha de sua garganta, pra qual meus ouvidos não eram mais sensíveis, e ela soava algo como Você me faz querer ir pra onde você vai. A outra seqüência de vibrações foi bem rápida e impactante. Se meus ouvidos ainda funcionassem, e meu cérebro ainda fosse capaz de entender o que eles ouviam, eu teria me encolhido com medo, pois teria acabado de ouvir um tiro.


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