sexta-feira, 28 de agosto de 2009

[...]
é sobre essa ilusão que é refeição diária
presente no café da manhã, no almoço e no jantar
e que vez ou outra, constantemente
faz-me atacar a geladeira dos desejos durante as madrugadas
[...]

às vezes sinto uma saudade de ser um pouco menos
um pouco menos correto
um pouco menos enquadrado
um pouco menos afinado
um pouco menos responsável
um pouco menos chato
um pouco menos verdadeiro
um pouco menos entregue
sinto saudades de ser menos carlos
e muito mais caco, minha versão eu mais "jogado"

já fui caco de corpo e alma, hj não mais
meu único medo é me perder de caco
e carlos ser pra sempre.
um carlos que é, talvez, melhor que caco
mas não é ... leve.

sinto falta da minha leveza, hoje sou muito mais rijo e consciente
meio que deixei de ser ator para ser autor
para ter o controle da história, e não mais me deixar controlar.
perdi o imoproviso, sou ótimo nas respostas prontas para perguntas ensaiadas.
não mais coloco um brilho nos meus monólogos, não há mais espaço para os tão agradáveis "cacos" que surgem sem esperar.
sou so esse texto ensaiado e decorado,
esse carlos sem nenhum caco,
e o que mais busco nessa peça quadro-a-quadro
é a naturalidade

a naturalidade do Ser.


soante

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