quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

cheiro e carnaval

era maré de povo
tanto suor
tanta cor
sem você
apenas teu cheiro

a cada esquina
estranhos
caras feias pintadas de beleza
nenhum rosto teu
mas teu cheiro se destacava

em carnaval
pelo ar
o perfume que te traz para minha cabeça
saia dela e dizia
que talvez ali você estivesse

e meus olhos te procuravam como loucos
na esperança de entre tantas cabeças
ver a tua
viajar na tua
cair no teu passo

fiquei só com teu cheiro
e só teu cheiro não fez carnaval
quem sabe no próximo ano
a gente sobe e desce ladeira, cai na noite antiga
com teu aroma te vestindo ao meu lado.


sábado, 21 de fevereiro de 2009

mais uma vez, ilusão

de repente restaram apenas eles. a multidão parecia se resumir ao fora de foco comum do que não interessa no quadro. os olhos dela, da pessoa amada, brilhavam, refletiam ele, que a olhava. e viva! ele estava na cabeça dela. podia se ver lá dentro. e se sentia dentro dela.

um milésimo de segundo, foi esse o tempo. naquela noite, no meio de todas aquelas pessoas, no meio do discurso apaixonado pelo assunto da vez, ela passou a vista por ele. ele que sempre tinha a vista nela. bastou isso para satisfazer o seu sonho por aquela noite. e por todo o tempo em que não iriam se ver, aquela imagem, dele preso no olhos dela, serviria para fazê-lo acreditar que era verdade. até que iria arranjar outro fato que comprovasse o que ele sabia não ser real, mas que era gostoso acreditar existir.


...e eu sempre espero que no meio da conversa tua mão displicente caia em mim...


soante

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